quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Ratamahatta (1996)

Fred Stuhr | Estados Unidos / Brasil | 03'20" | IMDb | Assista no Youtube

O Sepultura em seu álbum Roots estava ‘descobrindo’ suas raízes brasileira e misturando-as no trashmetal. A inusitada parceria com Carlinhos Brown, deu origem a música Ratamahatta, com uma letra nonsense acompanhada de tambores e guitarras distorcidas.

A exótica estética brasileira é embalada e distorcida para se encaixar ao gosto gringo. Aqui não estou fazendo uma queixa, mas sim uma observação, já que considero o esforço do Sepultura muito nobre e relevante para a música brasileira e até mundial. Mas falta aos membros da banda uma vivência mais próxima dos costumes e práticas populares do Brasil (o que os diferencia de Chico Science, por exemplo).

Este ‘olhar estrangeiro’ sobre a cultura brasileira pode ser observada no clipe de Ratamahatta. Ao mesmo tempo que é interessante notar como seria o folclore e os mitos do Brasil vistos a partir da lente estereotipada e da imaginação de um artista americano. Chega a ser engraçado ver referências a elementos nada brasileiros como práticas vodu, ou um personagem que parece mais um revolucionário mexicano zapatista, do que um ribeirinho da Amazônia.

O clipe mostra entidades que saem de uma floresta tropical e vão a uma pequena vila, que mais parece a Rocinha. Lá as entidades encontram seres bizarros, como um bêbado, uma pedinte cega (a quem as entidades entregam dois olhos), um boneco de pano cheio de alfinetes (seria uma referência ao vodu?) e uma prostituta. Em uma das casas, uma celebração religiosa está sendo realizada. As pessoas se movimentam como se fosse zumbis em transe na frente de um altar cheio de caveiras. Um feiticeiro sem olhos, sai por trás do altar, coloca uma cartola preta e se dirige à floresta. Lá, em uma cerimônia, invoca uma entidade gigante que sai perseguindo as pessoas na cidade.

Ratamahatta foi realizado em stop motion pelo talentoso Fred Stuhr. A técnica de movimento de Stuhr é bem característica. Ele desenvolveu um jeito ‘quebrado’ e também dinâmico que podemos ver também nos seus trabalhos anteriores. A aparência dos bonecos possui a assinatura gráfica de Stuhr. Seus personagens são bizarros, deformados, com rostos sem movimento, mas com muita expressão (o que me lembra muito o mestre bonequeiro e animador tcheco Jiri Trnka).

Este foi o último trabalho de Fred Stuhr antes de cometer suicídio em 1997, aos 30 anos.

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