Ted Parmelee / UPA | Estados Unidos | 07'24" | IMDb | Assista no Youtube
A Era de Ouro da animação foi dominada pelo 'estilo Disney'. Procurava-se a 'ilusão da vida', através de um realismo próprio da animação, na qual o espectador deveria 'esquecer' que estava vendo um desenho animado. Os movimentos deveriam ser fluidos e a materialidade do desenho deveria ser invisível. Esta forma de pensar e fazer animação foi desafiada a partir da década de 1940 por uma nova produtora, a UPA - United Productions of America.
A UPA se originou justamente de uma dissidência da Disney, quando três de seus artistas foram afastados durante a famosa greve de 1941. Um deles, John Hubley, um artista de layout, estava descontente com o estilo ultra-realista de animação que a Disney estava utilizando. Desta forma, na UPA, a expressão pessoal e o estilo individual deveriam estar livres de clichês massificados das obras comerciais de Hollywood. As Vanguardas europeias serviriam de inspiração em relação ao uso de cores chapadas, espaços vazios e o minimalismo. A perspectiva realista não seria regra e os movimentos deveriam ser básicos. Com esta fórmula a "UPA dominou a linguagem gráfica contemporânea da sua época e encorajou sua adaptação à forma animada" AMIDI (2006, p. 112).
A individualidade artística era tão respeitada que mesmo dentro da própria produtora existia uma certa diversidade. A animação adulta The Tell-Tale Heart (1953), dirigida por Ted Parmelee, foge bastante do estilo que tornou a UPA famosa. A concepção visual dos cenários de Paul Julian para o filme, por exemplo, eram pinturas muito densas, texturizadas, as vezes até com tons realistas, o que os diferenciavam muito da maior parte dos cenários feitos para a UPA, nos quais se utilizavam o espaço vazio e elementos planos. Julian se inspirou na obra do designer cênico Eugene Berman, além do surrealismo e do expressionismo alemão (Open Culture, 2023).
Baseada em um conto de terror psicológico escrito por Edgar Allan Poe, lançado em 1843, a animação conta a história de um homem que aos poucos vai enlouquecendo até matar o seu senhorio, um idoso que, segundo o assassino, tinha um 'olho maligno'. Tomado pela culpa, a loucura do homem cresce cada vez mais e ele começa a ouvir o coração do velho patrão batendo através do assoalho da sala de jantar, onde o homem o havia enterrado.
The Tell-Tale Heart é uma das animações mais lúgubres já realizadas. O clima de loucura crescente está em tudo. Desde o visual soturno e grave dos cenários e personagens, até a movimentação mínima e lenta das cenas. Apesar de usar animação quadro a quadro, o filme usa um misto de técnicas como recorte, fusões e efeitos de iluminação, que ampliam o clima enigmático através de zooms repentinos e do uso dinâmico do claro e escuro, sombras que surgem e somem. Um recurso que o filme faz de maneira exemplar é nunca mostrar o assassino, apenas sua sombra. A narração obscura é feita pelo ator inglês James Manson.
Uma das primeiras animações (senão a primeira) feita para o público adulto. Tanto que recebeu a censura de 18 anos no Reino Unido. Foi indicada para o Oscar de melhor curta de animação, mas perdeu para um filme da Disney que, curiosamente, 'copiava' o estilo da UPA.
Referências
AMIDI, Amid. Cartoon Modern: Style and Design in 1950’s Animation. San Francisco: Chronicle Books, 2006.
Opem Culture: the best free cultural & educational media on the web.. Acesso em: 21 dez. 2023.
A UPA se originou justamente de uma dissidência da Disney, quando três de seus artistas foram afastados durante a famosa greve de 1941. Um deles, John Hubley, um artista de layout, estava descontente com o estilo ultra-realista de animação que a Disney estava utilizando. Desta forma, na UPA, a expressão pessoal e o estilo individual deveriam estar livres de clichês massificados das obras comerciais de Hollywood. As Vanguardas europeias serviriam de inspiração em relação ao uso de cores chapadas, espaços vazios e o minimalismo. A perspectiva realista não seria regra e os movimentos deveriam ser básicos. Com esta fórmula a "UPA dominou a linguagem gráfica contemporânea da sua época e encorajou sua adaptação à forma animada" AMIDI (2006, p. 112).
A individualidade artística era tão respeitada que mesmo dentro da própria produtora existia uma certa diversidade. A animação adulta The Tell-Tale Heart (1953), dirigida por Ted Parmelee, foge bastante do estilo que tornou a UPA famosa. A concepção visual dos cenários de Paul Julian para o filme, por exemplo, eram pinturas muito densas, texturizadas, as vezes até com tons realistas, o que os diferenciavam muito da maior parte dos cenários feitos para a UPA, nos quais se utilizavam o espaço vazio e elementos planos. Julian se inspirou na obra do designer cênico Eugene Berman, além do surrealismo e do expressionismo alemão (Open Culture, 2023).
Baseada em um conto de terror psicológico escrito por Edgar Allan Poe, lançado em 1843, a animação conta a história de um homem que aos poucos vai enlouquecendo até matar o seu senhorio, um idoso que, segundo o assassino, tinha um 'olho maligno'. Tomado pela culpa, a loucura do homem cresce cada vez mais e ele começa a ouvir o coração do velho patrão batendo através do assoalho da sala de jantar, onde o homem o havia enterrado.
The Tell-Tale Heart é uma das animações mais lúgubres já realizadas. O clima de loucura crescente está em tudo. Desde o visual soturno e grave dos cenários e personagens, até a movimentação mínima e lenta das cenas. Apesar de usar animação quadro a quadro, o filme usa um misto de técnicas como recorte, fusões e efeitos de iluminação, que ampliam o clima enigmático através de zooms repentinos e do uso dinâmico do claro e escuro, sombras que surgem e somem. Um recurso que o filme faz de maneira exemplar é nunca mostrar o assassino, apenas sua sombra. A narração obscura é feita pelo ator inglês James Manson.
Uma das primeiras animações (senão a primeira) feita para o público adulto. Tanto que recebeu a censura de 18 anos no Reino Unido. Foi indicada para o Oscar de melhor curta de animação, mas perdeu para um filme da Disney que, curiosamente, 'copiava' o estilo da UPA.
Referências
AMIDI, Amid. Cartoon Modern: Style and Design in 1950’s Animation. San Francisco: Chronicle Books, 2006.
Opem Culture: the best free cultural & educational media on the web.. Acesso em: 21 dez. 2023.

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