quarta-feira, 22 de julho de 2015

¡Vampiros en la Habana! (1985)

Juan Padrón | Cuba | 01:09:00 | IMDb | Assista no Vimeo

Normalmente não vemos a América Latina e países caribenhos como espaço de tradição na produção de animação. No entanto, ela esteve lá, ou melhor, aqui, desde o início do século XX. Basta lembrar que foram latino americanos que produziram o primeiro longa-metragem de animação da história, ainda em 1917 (El apostol, Argentina).

Mas é verdade que o cinema de animação na América Latina teve, no geral, início tardio e produção esparsa. Em Cuba, a produção de animação se intensificou após a Revolução, com a fundação do ICAIC (Instituto Cubano de Arte y Industria Cinematográficos), que contava com uma divisão exclusivamente dedicada a animação. Essa produção foi, no geral, de filmes educativos e orientados para o público infantil, e sobretudo de cunho ativista.

Já a produção de longa-metragem de animação (grande desafio em todo o mundo, mesmo onde se formou uma indústria) começou tarde em Cuba, apenas no final da década de 1970. Juan Padrón foi o animador que produziu os três primeiros, dos quais Vampiros en La Habana é o terceiro.

Antes de se lançar no universo da animação, Juan Padrón trabalhava com HQ. Foi para os quadrinhos que ele criou o personagem que mais tarde seria o protagonista dos dois primeiros longas de animação cubanos – Elpidio Valdés, um guerrilheiro no contexto dos conflitos pela independência de Cuba no século XIX.

À exemplo destes, Vampiros en la Habana também é ambientado num contexto de conflitos da história cubana, o início da década de 1930, durante os levantes contra o presidente Gerardo Machado.

O enredo gira em torno de Joseph Emmanuel, um jovem ativista, músico... e vampiro. Seu tio, o vampiro Werner Amadeus, inventa uma fórmula para a imunidade vampira ao sol e decide tornar a substância pública, divulgando sua fórmula para todos os vampiros do mundo gratuitamente.

Porém, seu intento causa rebuliço nas comunidades vampirescas das grandes nações capitalistas, que possuem interesses divergentes quanto ao fim da substância. Na Europa, um grupo de vampiros pretende comercializá-la a preços exorbitantes. Enquanto nos Estados Unidos, outro grupo quer destruir a fórmula, pois esta pode acabar com um negócio americano altamente lucrativo de praias artificiais para vampiros. Joseph, que até então só precisava se preocupar com a polícia tirana do governo Machado, logo se vê perseguido também por vampiros americanos e europeus.

Como deu pra notar, se trata de uma comédia que usa os elementos do gênero e dá continuidade aos aspectos do imaginário desse personagem clássico do horror, tratando de pensar sua evolução dentro da mesma lógica política que rege o mundo.

O filme teve uma sequência em 2003, intitulada Más vampiros en la Habana, também do Juan Padrón, que fica pra outra postagem.

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